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Dilma se diz ‘indignada’ e chama Temer de ‘traidor

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Dilma se diz ‘indignada’ e chama Temer de ‘traidor
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
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(ANSA) – “Indignada” com um tratamento “que não se reserva a mais ninguém”. Assim Dilma Rousseff disse se sentir sobre a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar a instauração de um processo de impeachment contra ela. Em sua primeira coletiva de imprensa após a votação, a presidente repetiu o discurso de que é vítima de “golpe de Estado” e prometeu lutar por toda a sua vida.

“Hoje eu me sinto injustiçada porque considero que esse processo não tem sustentação legal. A justiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa ou quando se acusa alguém por algo que não é crime”, afirmou a mandatária petista, que é alvo de denúncia por crime de responsabilidade.

O pedido de afastamento de Dilma é assinado pelos juristas Miguel Reale Jr., Janaina Paschoal e Hélio Bicudo, fundador do PT, e a acusa de ter atrasado repasses a bancos públicos que seriam usados para cobrir benefícios sociais e previdenciários.

O trio de advogados diz que a petista, na prática, tomou “empréstimos” de instituições estatais, o que é proibido por lei, para maquiar as contas públicas. Já o governo alega que os atrasos não podem ser caracterizados como operações de crédito, já que não houve transferência de recursos dos bancos para o caixa da União.

“Eu assisti à sessão ao longo da noite de ontem [17] e não vi uma discussão sobre crime de responsabilidade”, acrescentou a presidente, que ainda adotou um leve tom de ironia ao comentar que muitos deputados votaram em nome de Deus, de suas famílias e por “outros motivos”.

“Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada com a decisão. Os atos pelos quais me acusam foram praticados por outros presidentes da República antes de mim. Se reserva a mim um tratamento que não se reservou a ninguém. Não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, de enriquecimento ilícito. Eu não fui acusada de ter contas no exterior”, disse Dilma, aí se referindo claramente ao presidente da Câmara Eduardo Cunha.

A mandatária ainda ressaltou que é alvo da estratégia do “quanto pior, melhor” e que está em curso uma “violência contra a verdade, contra a democracia e contra o estado democrático de direito”. “Enfrentei por convicção a ditadura e agora também enfrento por convicção um golpe de Estado. Usa-se uma aparência de legalidade para perpetrar o mais grave crime contra uma pessoa, que é condenar um inocente”, acrescentou.

Temer e Cunha

Sem mencionar seus nomes, mas também sem deixar dúvidas de quem estava falando, Dilma não usou meias palavras para se referir a Cunha e ao vice-presidente Michel Temer, beneficiários diretos de seu eventual impeachment.

Para seu companheiro de chapa, reservou a alcunha de “conspirador” e “traidor”. “É estarrecedor que um vice-presidente no exercício de seu mandato conspire abertamente. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada. A sociedade humana não gosta de traidor”, salientou.

Já se referindo a Cunha, disse que o processo de impeachment é fruto de uma “vingança” do deputado, que não teve os votos do PT para barrar o inquérito contra ele no Conselho de Ética, e possui o rosto do “abuso de poder”. “Eu acredito que é muito ruim para o Brasil que o mundo veja que a nossa jovem democracia enfrenta um processo com essa baixa qualidade. De certa forma, estou tendo meus sonhos torturados, mas não vão matar em mim a esperança. A democracia é sempre o lado certo da história”, afirmou Dilma.

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Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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