Dieta rica em peixe “reduz risco de depressão”, revela pesquisa

Nós crescemos ouvindo nossos pais e avós falando sobre os benefícios do peixe para a memória. Agora uma nova pesquisa revela que as pessoas que comem muito peixe também são menos propensas a ficar deprimidas. O estudo mostrou que os homens que tinham uma dieta rica em peixe viram o seu risco de depressão reduzir em 20%, enquanto nas mulheres o risco caiu em 16%.

De acordo com os pesquisadores, o ômega 3 (n-3) encontrado nos peixes pode alterar a estrutura das membranas cerebrais. Ele também pode modificar a atividade dos neurotransmissores (mensageiros químicos), dopamina e serotonina, que podem estar envolvidos com a depressão.

As proteínas de alta qualidade, vitaminas e sais minerais encontrados nos peixes também podem ajudar a evitar a doença, uma vez que comer muito peixe pode ser um indicador de uma dieta saudável e mais nutritiva. No entanto, os pesquisadores advertiram que mais estudos ainda são necessários.

A depressão afeta um número estimado de 350 milhões de pessoas em todo o mundo e pode se tornar a segunda principal causa de problemas de saúde em 2020, segundo a Organização Mundial de Saúde. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, já afeta 7,6% da população adulta, ou seja, mais de 11 milhões de pessoas.

 o ômega-3 (n-3) encontrado nos peixes pode alterar a estrutura das membranas cerebrais (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O ômega 3 (n-3) encontrado nos peixes pode alterar a estrutura das membranas cerebrais (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

A dieta saudável com consumo regular de frutas, legumes, peixes e grãos integrais é reconhecida por ter desempenhado um papel importante na diminuição do risco de contrair a depressão. Mas nenhum estudo até agora olhou para os componentes individuais, e a ligação entre os peixes e o risco de depressão permaneceu controversa.

O professor Zhang Dongfeng, da Faculdade de Medicina da Universidade de Qingdao, Shandong, China, disse: “A associação entre o consumo de peixe e o risco de depressão é controversa. Muitos estudos investigaram a associação entre o consumo de alimentos e o risco de depressão. Além disso, uma meta-análise publicada recentemente indicou que um padrão alimentar saudável, caracterizado por um elevado consumo de frutas, legumes, peixes e grãos integrais, foi significativamente associado com um risco reduzido de depressão.  No entanto, ainda não está claro qual o componente do padrão de dieta seria responsável para o efeito protetor”.

Zhang acrescentou que os peixes, como uma fonte importante de n-3 ácidos gordos poliinsaturados (n-3 PUFA), que podem desempenhar papéis importantes na estrutura e função do cérebro e células nervosas, estão associados com a depressão em vários estudos. No entanto, outros estudos não encontraram uma associação entre o consumo de peixe e o risco de doença mental.

O novo estudo analisou todas as pesquisas relevantes em todo o mundo examinando a associação entre o consumo de peixe e o risco de depressão publicada entre 2001 e 2014. Somente os estudos europeus apoiam a ligação entre alto consumo de peixe e o menor risco de depressão.

O professor Zhang disse que comer peixe pode ser benéfico na prevenção da depressão, mas são necessários mais estudos para investigar se esta associação varia de acordo com o tipo de peixe. Os mecanismos biológicos exatos pelos quais um elevado consumo de peixe reduz o risco de depressão não é totalmente compreendido, continuou.

Ele disse ainda que “proteínas de alta qualidade, vitaminas e minerais podem ter um efeito protetor sobre a depressão. O alto consumo de peixe também pode estar relacionado a uma dieta saudável e melhor estado nutricional, o que pode contribuir para o menor risco de depressão”. Os mecanismos específicos exigirá grandes estudos para confirmar, concluiu Zhang.

As conclusões foram baseadas em 16 artigos que incluíram 26 estudos e envolveu um total de 150,278 participantes. A análise não definiu a quantidade de peixe que deve ser consumido semanalmente ou como ele deve ser preparado. O estudo foi publicado no Journal of Epidemiology & Community Health.

As informações são do Daily Mail

você pode gostar também

error: Conteúdo protegido, entre em contato ([email protected]) para solicitar a matéria!