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Crise no Brasil não assusta e-commerces europeus

Crise no Brasil não assusta e-commerces europeus
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Com o cenário político-econômico incerto, o consumidor brasileiro assumiu um perfil mais conservador e passou a ponderar com atenção redobrada o que deve ser levado para casa. O reflexo disso está no recuo histórico de 4,3% das vendas do varejo restrito no país – que exclui veículos, materiais de construção e combustíveis – no ano de 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acompanha os índices desde 2001.

Na contramão da crise, entretanto, as vendas online registraram um faturamento de R$ 41,3 bilhões, no ano passado, o que representa um crescimento nominal de 15,3%, se comparado a 2014, de acordo com pesquisa Webshoppers apresentada pela E-bit/Buscapé. Dentre os fatores que contribuíram para o resultado positivo, está a compreensão dos brasileiros com relação aos benefícios do consumo online, que permite uma rápida e eficiente comparação de preços e, consequentemente, uma compra com melhor custo-benefício, na maioria das vezes.

Desta forma, o terreno fértil para o comércio online no Brasil tornou-se um grande atrativo para startups europeias de tecnologia. O grupo alemão Rocket Internet, que funciona como uma incubadora de empresas emergentes, já trouxe para o país nomes conhecidos, como Dafiti (2011), Cuponation (2012) e permaneceu investindo, com a abertura da Vaniday em 2015, entre outros.

A gigante Axel Springer, uma das maiores editoras digitais na Europa, também apostou no país com o investimento nas versões brasileiras de Zanox (2011), Guiato (2012) e UmSóLugar (2014). “Não é a primeira vez que entramos em mercados internacionais em momentos de crise. Também enfrentamos cenários similares em nossos lançamentos na Espanha e na Itália, por exemplo. É claro que isso se configura como um desafio, mas acreditamos firmemente no sucesso crescente do Brasil e no modelo de negócio que desenvolvemos”, afirma Robert M. Maier, co-fundador da Visual Meta, empresa alemã que administra o comparador de produtos UmSóLugar, no Brasil.

Como consequência da maré de oportunidades trazida pelo aumento das vendas do varejo online houve a popularização dos marketplaces e plataformas de e-commerce. O surgimento de centenas de novas empresas no setor, por sua vez, gerou maior competição entre os concorrentes, exigindo mais profissionalismo e excelência operacional para oferecer uma boa experiência aos usuários, tanto no momento da compra quanto no pós-venda.

Desta forma, apesar de todos os desafios, esse é um mercado que vem crescendo bastante. De acordo Maier, o site tem tido um crescimento expressivo no país: “O Brasil tem se mostrado um mercado muito interessante. Temos plataformas em quase toda a Europa e Ásia, mas o Brasil é o que tem crescido mais rapidamente nos últimos anos. Nosso modelo de negócios ajuda muito os usuários a comparar preços, o que se torna uma ferramenta ainda mais atrativa em momentos de crise.”

Mobile Commerce

No Brasil, a chegada dos smartphones mudou o comportamento dos consumidores, que passaram a usar o dispositivo móvel como um dos principais caminhos para acessar o produto ou serviço desejado. Ainda de acordo com a pesquisa Webshoppers, em 2015, o acesso via dispositivos móveis em lojas virtuais no país foi de 35%. Isso significa que, em mais de 1/3 do tempo em que os consumidores navegam em lojas virtuais, eles já estão utilizando smartphones ou tablets. Ademais, o ano foi marcado por mudanças no algoritmo da Google, que passou a privilegiar os sites mobile friendly, justamente em decorrência do aumento do acesso por meio de smartphones.

Para Maier, num cenário competitivo e delicado, é fundamental estar atento a todos esses fatores e prover aos consumidores a melhor experiência de consumo online possível. “O UmSóLugar já nasceu para desktops e smartphones e pôde surfar na onda positiva que o Brasil apresenta – 41% das visitas em nosso site ocorreram via dispositivos móveis, ano passado. A mesma tática, porém, pode não funcionar em outros mercados. Estamos hoje em 20 países e entramos em cada um deles com uma estratégia básica muito similar, mas que sem dúvidas vêm sofrendo adaptações individualmente necessárias, com base no comportamento dos usuários, oferta das lojas parceiras e demanda em nossos portais”, explica.

Sobre o futuro

De acordo com Maier, o Brasil ainda tem muitos atrativos, apesar do momento conturbado. “Os nossos parceiros no país são bastante abertos para negócios e entendem bem do mercado em questão. Além disso, as instituições brasileiras funcionam muito bem se comparadas com outros países. Isso nos deixa confiantes em continuar investindo no país mesmo em momentos de crise que, em nossa visão, é uma fase passageira. Para se ter uma ideia, de 2014 até hoje já triplicamos nossa equipe no time de profissionais brasileiros e a expectativa é continuar com esse crescimento nos próximos anos”, conclui.

Rafael Nicácio Editor e repórter do Portal N10. Já trabalhou na Assecom (Assessoria de Comunicação do Governo do RN) e na Ascom (Assessoria de Comunicação da UFRN).
  • Johnatan

    Tomara que dê certo, burger king cada vez mais ricos

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