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Brasil teve ajuda de outros países para prender suspeitos de terrorismo

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Brasil teve ajuda de outros países para prender suspeitos de terrorismo
Foto: Reprodução / Agência Brasil
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Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (21), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que a prisão de dez suspeitos de planejarem atos terroristas para a Olimpíada Rio 2016 contou com informações repassadas por setores de inteligência de outros países.

“Durante o rastreamento, várias inteligências de vários países nos auxiliaram com trocas de informações”, disse Moraes durante evento que marcou o início da operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Segundo Moraes, a Polícia Federal tem um grupo designado especialmente para o combate ao terrorismo, o Centro Integrado Anti-Terrorismo (Ciant), que conta com a ajuda direta de seis países: Estados Unidos, França, Bélgica, Inglaterra, Argentina e Paraguai.

O ministro reafirmou que o grupo preso era amador e que a maioria das pessoas sequer se conhecia pessoalmente, com exceção de dois homens que haviam cumprido pena juntos, de seis anos, por homicídio.

“Era um grupo extremamente amador. Basta ver que a poucos dias da Olimpíada, o suposto líder, porque a maior parte das comunicações partia dele, estava pedindo para eles iniciarem um treinamento de artes marciais, iniciarem um treinamento de tiro, o que quer dizer que nenhum deles tinha esse treinamento. Ninguém profissional, seja para a prática de atos terroristas, seja para qualquer crime, vai comprar uma arma pela internet”, analisou.

Apesar do amadorismo da ameaça, Moraes disse que cabe ao governo atuar prontamente neste tipo de caso. “Obviamente, isso não deve afastar a necessidade de pronta atuação do Poder Público. Qualquer indício de ato preparatório que nós captarmos, a nossa resposta será imediata, para que não deixe avançar qualquer ideia de prejudicar a Olimpíada.”

A prisão trouxe à tona hoje (21) o debate sobre terrorismo no Brasil. No entanto, extremistas islâmicos vêm publicando há mais de um mês instruções e métodos de ataques nas redes sociais em português.

Uma das principais sinalizações de que o Estado Islâmico (EI) tentava conquistar seguidores no Brasil foi a criação, no fim de maio, de um canal em português na rede social Telegram. O canal seguia os moldes do já existente Nashir Channel, que veicula propaganda extremista na plataforma.

Mais recentemente, foi criado outro canal no Telegram, com o nome Ansar al-Khilafah Brazil, que declarou lealdade ao Estado Islâmico e ao seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi. Foi a primeira vez que um grupo no Brasil e na América do Sul anunciou explicitamente sua filiação à organização sunita. A notícia foi veiculada na segunda-feira (18) pela agência norte-americana de contraterrorismo SITE Intelligence Group.

Métodos de ataque

Foram compartilhados no Telegram manuais e sugestões de métodos para se cometer atentados durante os Jogos Olímpicos. Entre as táticas citadas, há sequestros, envenenamento, uso de drones, acidentes de carro, esfaqueamento e veiculação de falsas ameaças. Uma lista com 17 itens circulou com explicações de como proceder em cada um dos métodos.

Os alvos principais são as delegações e os turistas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e de Israel. O “manual” também orienta a envenenar alimentos e bebidas de bares e restaurantes, atacar partidas de seleções de países considerados “inimigos” (os que integram a coalizão internacional contra o Estado Islâmico) e disparar explosivos com drones.

Evitar mulheres, crianças e países neutros

O item 11 da lista, porém, pede para que os jihadistas evitem atacar mulheres, crianças e países que estão “fora da guerra contra o Islã”. Além disso, o item 13 do manual explica que um atentado em grande escala no solo de uma nação neutra (caso do Brasil) pode fazer com que mais países passem a integrar a coalizão internacional contra o EI.

No Twitter, rede social amplamente usada para divulgação de propaganda terrorista e recrutamento de jihadistas, também há registros de mensagens sobre possíveis ataques no Rio de Janeiro publicadas desde junho.

Alguns perfis já vinham sendo monitorados por organizações, inclusive pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que identificou um recrutador do Estado Islâmico no Brasil sob o nome de Ismail Abdul Jabbar al-Brazili, apelidado de “O Brasileiro”.

No último dia 11, um fórum online cujas conversas foram monitoradas pelos hackers do Binary Sec tentava ter notícias de al-Brazili. Foram publicadas mensagens em um grupo pedindo ajuda para localizar o recrutador do EI.

Os hackers também localizaram mensagens trocadas entre os dias 17 e 18 de junho que exibiam fotos de uma AK-47 publicadas por um usuário apelidado de “Wolf”, o qual se referia aos Jogos do Rio de Janeiro. Em outro post, um norte-americano se dizia fabricante de armas para o Estado Islâmico no Brasil.

Até a operação da PF, realizada hoje no Brasil, a única ameaça concreta que ficou conhecida mundialmente contra o país foi a mensagem publicada por Maxime Hauchard, um dos líderes do Estado Islâmico, logo após os atentados de 13 de novembro, em Paris. “Brasil, vocês são o próximo alvo”, escreveu o jihadista na ocasião.

Com informações da Agência Brasil

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Romário Nicácio Administrador de Redes. Redator e co-fundador do Portal N10. Redator de sites desde 2009.
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